segunda-feira, 7 de maio de 2012

Alunos saem do fundamental sem saber o básico

Monique Renne 

A professora de português Keila Núbia defende a participação dos pais

Levantamento da Unesco baseado na Prova Brasil mostra que cerca de 30% dos estudantes vão para o ensino médio com pouca noção de português e matemática

Praticamente uma em cada cinco crianças terminou o ensino fundamental em 2009 sem ter alcançado condições básicas de compreensão de texto. Quando a disciplina muda para matemática, o dado é mais assustador. Aproximadamente 39% dos estudantes que concluíram os primeiros nove anos do ciclo educacional, entre 2005 e 2009, não tem o nível básico de competência para resolver problemas, como se espera de um aluno nessa etapa do ensino. Os índices da Prova Brasil de 2005, 2007 e 2009 mostram, segundo análise da Organização das Nações Unidas para a Educação (Unesco), que, em algum momento, o sistema educacional brasileiro falhou. 

De acordo com o levantamento da organização Exclusão Intra-escolar nas Escolas Públicas Brasileiras, o perfil desses estudantes que não conseguiram alcançar o mínimo de desempenho está relacionado a uma série de fatores dentro e fora da escola. Segundo a pesquisa da Unesco, a maioria desses estudantes tem características comuns: piores condições socioeconômicas, estão concentrados nas regiões mais pobres do país — Norte e Nordeste —, nas escolas com os indicadores de qualidade mais baixos, com bibliotecas, instalações e condições de funcionamento deficientes. Outros fatores comuns também foram observados, em relação aos gestores e educadores desses alunos. As equipes que os atendem são as menos coesas, com menos escolaridade, piores condições escolares e maiores índices de violência escolar. 

Para o coordenador de educação da Unesco, Paolo Fontani, os números mostram que o processo de aprendizado, para esses alunos, foi interrompido. “Esse tipo de atraso tem um impacto muito forte na capacidade de continuar a aprender por toda a vida”, alerta. Segundo ele, esses dados apontam que o aprendizado envolve três pilares com elementos de justiça social, equidade e inclusão. “Não podemos considerar que a responsabilidade dessa falha é da criança. Não é ela que tem que se adaptar. O sistema tem que ser capaz de ser inclusivo para fazer com que cada um tenha oportunidade de aprendizado.” 

Esse sistema de ensino, para a professora de português da rede pública do Distrito Federal Keila Núbia, tem que priorizar a valorização da educação e o envolvimento dos pais. “Não ter uma boa estrutura não impede que os estudantes aprendam. O fato de o pai não acompanhar, não estar presente, dificulta. Vejo pelos meus alunos, os que têm pais empenhados são os que saem na frente. Mesmo que eles sejam analfabetos, se eles valorizam, os alunos também se importam.” 

O especialista em ensino com ênfase em matemática da Faculdade de Educação da Universidade de Brasília (UnB) Cleyton Hércules Gontijo concorda com a professora de português, mas destaca que, além do suporte familiar, um plano de ensino poderia ajudar a mudar esse cenário. “As diretrizes curriculares poderiam ser melhores. Os professores deveriam saber exatamente o que os estudantes devem aprender em cada etapa escolar e esse documento deveria ser o mesmo para todo país.” Programas com foco no currículo nacional, jornada de tempo ampliada, melhoria nas instalações físicas da escolas e qualificação dos docentes completam a lista de sugestões do especialista. 

O baixo índice de rendimento dos jovens também preocupa o Ministério da Educação. O ministro Aloizio Mercadante adotou recentemente como meta para a pasta garantir a alfabetização na idade certa para conseguir melhores índices de aprovação. Um dos argumentos do ministro é de que, se o estudante não estiver alfabetizado até os oito anos, dificilmente ele vai ter facilidade de aprendizado no restante da vida escolar.

domingo, 6 de maio de 2012

Antônio Bulhões pede atenção ao jovem desempregado

BRASÍLIA (DF) – Em discurso na Câmara dos Deputados, dentro das comemorações pela passagem do Dia do Trabalho e do Dia Internacional do Jovem Trabalhador (24 de abril), o líder do PRB, Antônio Bulhões, chamou a atenção para as dificuldades que os jovens enfrentam para ingressar em um mercado de trabalho cada vez mais competitivo. “O ingresso se dá por meio de recomendações, sorte, currículos, concursos ou favores familiares. Se falta aos jovens experiência, sobra-lhes, contudo, a disposição para o trabalho, além da aceitação de condições nem sempre justas”, chamou a atenção o parlamentar republicano.

Antônio Bulhões lembrou que a Constituição proíbe o trabalho antes dos 16 anos (restringindo-o até os 14, no caso de aprendizes) como forma de evitar a exploração de jovens e crianças. Mas a lei ainda é descumprida. “Dois terços dos brasileiros com idade entre 16 e 24 anos são economicamente ativos; mas apenas uma pequeníssima minoria deles se beneficia da Lei que protege os aprendizes. Mesmo se considerarmos o universo total dos trabalhadores brasileiros, metade está na informalidade”, advertiu o líder republicano, destacando que os números têm melhorado, “mas ainda estamos longe do ideal de uma sociedade justa, na qual os trabalhadores gozem de todos os seus direitos”.

Os números apresentados pelo parlamentar são eloquentes. “Dentre os jovens que desejam trabalhar, cerca de 18% estão desempregados, o dobro do índice da taxa geral de desemprego, que não faz discriminação entre empregos formais e informais.” Para Bulhões, o Pró-Jovem sinaliza uma solução para o problema. “É um programa que qualifica jovens com idade entre 16 e 24 anos, provenientes de famílias cuja renda per capita seja de até meio salário mínimo. Os cursos são fornecidos a partir da análise da demanda por empregos de cada região e já inseriram dezenas de milhares de jovens no mercado de trabalho. Mas esse número é pequeno, dado o tamanho da população brasileira.”

Bulhões concluiu chamando a atenção para a necessidade de investimentos em educação como forma de melhorar a produtividade do trabalhador brasileiro em todas as áreas. “Investimentos em educação são necessários não apenas para os jovens trabalhadores, mas para os de todas as idades, mesmo para aqueles que já completaram seus estudos.”

Por Paulo Gusmão
Foto: Douglas Gomes

sábado, 5 de maio de 2012

Metrô do DF terá vagão feminino

FotoDEP. EVANDRO GARLA
O metrô do Distrito Federal será obrigado a disponibilizar vagões exclusivos para mulheres e pessoas com deficiência, conforme projeto de lei do deputado Evandro Garla (PRB-DF), aprovado nesta semana na Câmara Legislativa do DF (CLDF).  Os vagões serão destinados nos horários entre 6h e 9h e entre 17h e 20h, exceto sábados, domingos e feriados. Eles serão destacados entre os que integram a composição dimensionada para fluxo de passageiros. Para o deputado Garla, o êxito da votação mostra o quanto essa ação poderá minimizar as tentativas de constrangimento e importunação sexual contra as mulheres. “Essa questão é muito séria, pois poucas mulheres se arriscam a fazer denúncias em virtude da vergonha e constrangimento moral”, disse.
 
fonte: Claudio Humberto

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Centros Olímpicos do DF oferecem mais de 9 mil vagas

DIVULGAÇÃO
Os Centros Olímpicos de Ceilândia, Estrutural, Gama, Recanto das Emas, Samambaia, Santa Maria e São Sebastião estão com matrículas abertas. São mais de 9 mil vagas em diversas modalidades destinadas a crianças, adultos e idosos.
Da redação do Alô

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Governo do DF libera R$ 33,4 milhões para ciclovias

O Governo do Distrito Federal liberou R$ 33,4 milhões para a construção de 86,6km de ciclovias em todo o DF. Três empresas contratadas pela Secretaria de Obras e pela Companhia Urbanizadora da Nova Capital (Novacap) já deram início às obras, que têm previsão de duração de seis meses no Plano Piloto, Ceilândia, Paranoá, Guará e Gama.

“Esses investimentos em ciclovia são uma grande revolução na utilização de um transporte saudável e na qualidade de vida da nossa população”, destaca o governador Agnelo Queiroz.

Só no Plano Piloto estão em construção 44,5km de vias exclusivas para os ciclistas, passando pelas avenidas L2 Sul e Norte, quadras comerciais das 200 e 400, nas Asas Sul e Norte. Outros 89km ficarão para uma próxima etapa e incluirão as vias W2, W4 e L4 Sul e Norte, Eixo Monumental e Setor Militar Urbano.

Os ciclistas do Gama receberão 25km, os do Guará, 5,8km, e quem mora no Paranoá terá mais 3km para percorrer de bicicleta. Na maior cidade do Distrito Federal, Ceilândia, será inaugurado o quarto trecho, com 8km de extensão. Os outros três trechos, que totalizam 31km, já estão prontos, o que irá totalizar 39km em ciclovias, ligando a cidade de Norte a Sul.

O campus Darcy Ribeiro da Universidade de Brasília (UnB), na Asa Norte, será contemplado com 12km de vias para ciclistas, interligadas à da L2 Norte. O trajeto passará pelo Instituto Central de Ciências (o Minhocão), Biblioteca, Restaurante e Hospital Universitários, além de outras vias internas do campus. Somente na região da UnB o GDF está investindo R$ 3,4 milhões.

Mobilidade urbana – O programa de ciclovias faz parte do Projeto de Mobilidade Urbana que visa alcançar a marca de 600km de ciclovias em todo o DF até o ano de 2014. A previsão é de que ainda este ano o GDF libere mais R$ 15 milhões para construção de novos trechos.

Atualmente existem 160km de vias para bicicletas construídos em todo o DF, sendo que 18km foram executados por uma construtora do Sudoeste como compensação ambiental. Outros 60km foram de responsabilidade do DER e 82km foram executados pela Secretaria de Obras e pela Novacap.

Ciclovias concluídas (compensação ambiental)
Sudoeste – 18km (obra realizada como compensação ambiental por uma construtora, mas que faz parte do programa cicloviário do DF)

Ciclovias concluídas (SO/Novacap)
Recanto das Emas – 33km
Santa Maria – 18km
Ceilândia – 31km

Ciclovias em construção
Ceilândia – 8km (máquinas na altura da quadra QNM 26)
Gama – 25km (em fase de demarcação na Avenida Contorno. Obras começam na próxima semana)
Plano Piloto – 44,5km
Asa Sul – em fase de demarcação ao longo das quadras 200/400 e 600
Asa Norte – máquinas na altura da 211/411 Norte
UnB – máquinas na altura da 415 Norte
Guará - 5,7km (em fase de demarcação)
Paranoá – 3km (máquinas na Avenida Principal)


Fonte: Agência Brasília

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Garla aprova Projeto de Lei na Câmara Legislativa

O tema suicídio é polêmico e muitas vezes camuflado pela mídia. Pensando nisso, o deputado Evandro Garla (PRB-DF) apresentou um Projeto de Lei que cria a Semana Distrital de Prevenção ao Suicído, aprovada nesta semana na Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF). Em entrevista à Coluna, Garla diz que já sentiu na pele a vontade de querer se suicidar e defende campanhas de esclarecimentos à população. “Quando tentei o suicídio na Pré-adolescência nunca tinha ouvido falar em grupos de apoio, CVV, campanhas publicitárias contra isto, se tivesse ouvido na escola, na TV, na rádio teria buscado ajuda”, explica. Questionado sobre os suicídios que acontecem no shopping Pátio Brasil, localizado no centro de Brasília, o parlamentar demonstra preocupação pelo fato deste tema estar sendo “camuflado”, segundo ele, por falta de atenção da mídia. 

Qual a importância deste projeto e por que o senhor decidiu criá-lo?
Eu decidi por ser um tema proibido e preocupante. O número de suicídios vem aumentando ano após ano, só no ano passado o índice cresceu 30%. Para se ter uma idéia dessa realidade omitida e camuflada por todos, dados da Secretaria de Saúde mostraram que nada menos do que 55% dos casos de suicídio no ano passado foram de pessoas entre 20 e 39 anos, pois é nessa idade que as pessoas se estabilizam profissionalmente e na vida amorosa também. Outros fatores também levam a essa prática como: depressão, perdas em geral, tanto financeira quanto pessoais podem provocar uma profunda insatisfação com a vida, ao ponto de quererem tirá-la. Mas, mesmo para quem está no último estágio, buscar tratamento e ajuda é a melhor solução e dá resultado.  

O que o senhor tem a dizer sobre os suicídios no shopping Pátio Brasil?
Acredito sinceramente que precisamos prevenir e debater esse tema e não camuflar, pois é escondido da sociedade e todos sabem que, no Pátio, vários jovens se matam, mas será que a mãe de muitos deles sabiam ou suspeitavam dessa intenção? O suicida dá sinais de forma indireta, pede ajuda, mas precisamos perceber essa situação que é de suma importância, e não tapar o sol com a peneira como fez esse shopping que acha ter resolvido o problema colocando blindex nos andares. Sinceramente, não resolve o problema do suicídio e sim do shopping que não terá seu nome vinculado a essa realidade.

O senhor acha que este tema é bem aceito pela sociedade?
Existem muitas pessoas que acham ridícula esta proposta, porém, elas já conversaram com o parente de algum suicida para sentir a dor da perda? Quando tentei o suicídio na pré-adolescência nunca tinha ouvido falar em grupos de apoio, CVV, campanhas publicitárias contra isto. Se tivesse ouvido na escola, na TV, na rádio teria buscado ajuda. Mesmo com campanhas de prevenção contra a AIDS, existem muitos que não se cuidam, imagine se não tivesse campanha nenhuma?



www.claudiohumberto.com.br